domingo, 27 de novembro de 2011

O Sonho e o Sonhador

AVISO AO LEITOR : este texto não traz nada místico, nenhum conhecimento oculto dos mundos imanentes ou transcendentes, poderá até ser deveras aborrecido. Não recomendado a leitores suscetíveis: com realidades definidas, opiniões cristalizadas, com riscos que vão desde: sonolência, histeria, a severas convulsões intelectuais!

O Sonho e o sonhador

Olha à tua volta! Após ouvires isto é inevitável que observes num raio de 360º tudo o que aparentemente rodeia esse corpo ao qual, e a partir do mesmo, chamas teu, mas, será mesmo só isso?! Após estas 2 linhas, com certeza já chegaste, opinaste, concluíste, ou ficaste confuso acerca do propósito desta conversa, ou questionas a razão pela qual, certos malucos te enviam textos loucos, como se não tivessem nada de melhor para fazer, e acima de tudo achas normal que isso aconteça, não o fato de te enviarem textos loucos, mas de estares sempre a pensar, opinar, concluir. “Há coisas base” aí! “Coisas” inquestionáveis, como quem és, a forma como te vês, a forma como vês o mundo, e a partir daí, desse porto de abrigo, ou digamos ponto de partida/regresso, dessa base de certeza, tudo aparentemente se desenrola. Até já podes estar a discordar, ou a concordar, tanto faz, o mecanismo é o mesmo, e continuas a não entender, mesmo que aches que estás a entender, é mesmo assim, e é normal, mesmo que assim não pareça...e até parece que brincamos com palavras, mas é mesmo a sério!!! Estamos mesmo a brincar a sério!!!

Um sonho dentro de um sonho, dentro de um sonho, dentro de um sonho...

Olha à tua volta! Desta vez com mais atenção, com outro foco, e verás agora, com ajuda claro, que esse corpo é apenas periférico, mas esquece lá isso do periférico, digamos que observas apenas de um ponto mais “interno” e uso esta palavra ciente da confusão que ela carrega, mas é a única forma de entenderes, pois a _tua_ referência _ é o corpo, mesmo que não pareça, então “interno” em relação ao corpo, parece confuso, mas é claro, bem mais claro que o entendimento que carregas, é apenas condicionamento, que faz com que o claro pareça confuso, e o confuso pareça claro, por incrível que pareça, ainda não aprendeste a pensar... desse ponto mais “interno” terás observações muito mais ricas e interessantes, embora não interessem para nada, da mesma forma que antes observavas 360º em relação ao corpo, agora observas dentro de outros parâmetros, ou então estou a falar sozinho____________________.... mas, esquece lá isso, vamos considerar que ainda aí estás, porque estás sempre aí, mas que estás aí, e, a tentar ao máximo entender onde isto vai chegar...e observas que existe um mundo aí, sim embora a observação ainda seja grosseira, pois é ruidosa, ou seja, a mente observa, ou seja, há pensamentos aí, estás a pensar (ou pelo menos assim o entendes) acerca do que vês, e “vês” sensações que emergem, vês pois a tua atenção está a ser levada nesse sentido, e além das sensações, também vês emoções, e agora que poderíamos ter atingido o teto da questão, devemos prosseguir para a observação dos pensamentos, sim, também consegues observar os pensamentos, e após observação cuidadosa, verás que os pensamentos emergem tal qual as sensações físicas, tal e qual as emoções... que coisa estranha, bom não o era, até era bem normal, mas as suas implicações nunca foram entendidas, e possivelmente não o estão a ser ainda (lê de novo)... tens um hábito estranho de achar que é tudo teu¬_eu, embora não saibas que aches, mas tens...dizes, as minhas sensações, as minhas emoções, os meus pensamentos....meus de quem? Desde que começaste a ler estas linhas, supondo que chegaste até aqui, um monte de opiniões, conclusões, confusões emergiram aí, sim emergiram aí, como sempre emergem, e devo confessar que me delicio com a vastidão das que emergiram aí, no entanto nada disso é teu, pelo menos da forma como acreditas ser, é apenas mecânico, é como tem de ser, e não como achas que é...tudo apenas emerge aí, nada mais...

Quer te ocupes com aquela parte do mundo que aparentemente rodeia esse corpo ao qual chamas teu, quer te ocupes com o mundo mais “interno”, é a mesma coisa... Quer tenhas um vasto conhecimento, (esta frase já por si só assusta ehehehe) da espiritualidade, ou que desconheças por completo, é a mesma coisa, devo dizer-te com franqueza, que é a mesma coisa, é apenas periférico, apenas emerge, e não tem qualquer valor, nem um pouco! Sim eu sei que o mundo, os outros, o conhecimento, a ciência, a religião, a espiritualidade, blá, blá, blá, blá, blá... PERIFÉRICO! Meu corpo, minhas emoções, meus pensamentos, a minha alma, o meu Deus! Meus de quem? De certo que se reclamas a posse desse corpo, dessas emoções, desses pensamentos, dessa alma, desse Deus, e seja lá o que for mais... então deves ser diferente de tudo isso, deves estar “além/aquém”, não deves ser nada disso, então o que sobra, e sobra em relação a quê, e a partir do quê?!

Sabes aquela imagem da propaganda acerca dos malefícios de ver TV, de alguém sentado em frente ao aparelho de TV, com os olhos esbugalhados, vidrados no aparelho, como que em hipnose, ou mesmo em hipnose, a enfiar automaticamente pipocas na boca, e com um fio de baba a escorrer pelo canto da boca, que vive e pensa de acordo com o a TV lhe diz acerca de como deve viver e pensar, embora ache que são as opiniões dele e não as da Tv...bom o mesmo se aplica a este mundo externo/interno com todas as suas peculiaridades. É tão intenso que parece realmente existir (seja lá o que isso queira dizer)! Quer sejas do mundo material, ou do mundo espiritual, a mesma hipnose, quer trates das coisas comuns, ou das coisas do oculto, a mesma hipnose... a mesma baba... a mesma convicção... a mesma ilusão! E, os pensamentos/opiniões/conclusões continuaram a emergir aí e continuas a achar que são teus/tuas...

E aí??? Parece que chega desta vez não achas??? Supostamente agora faria um resumo, acerca do que foi exposto, concluiria bonitinho, e colocaria um lacinho em cima, mas acho que desta vez vou deixar assim mesmo... vou deixar essa parte para ti! Sem introdução e sem conclusão, e assim é com a aparente existência!

Em Serenidade,
Satyavan

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Mente busca o conhecimento, o coração busca a Verdade!

A Mente busca o conhecimento, o coração busca a Verdade!

Após vários questionamentos acerca do que é um retiro, “o que está incluso no pacote”, “quais as atividades que oferecemos”, “se pode usar piscina”, “o porquê do silêncio”, “cadê todo o mundo”, “o que é que eu faço o resto do tempo”, e tantas outras perguntas, percebemos na ingenuidade das perguntas, uma falta de entendimento acerca do que é um retiro e qual a proposta, então nasceu assim a necessidade de trazer um pouco mais de esclarecimento acerca do que é um retiro... Por vezes o resultado de tentar esclarecer apenas gera mais confusão dependendo do ouvinte, por isso, se este texto fizer algum sentido, ótimo, senão esquece, não penses mais nisso!

Retiro espiritual VS Excursão espiritual
Estas são apenas duas nomenclaturas, e apenas vão receber o valor que lhes é atribuído, não são termos generalizados, e servem apenas o propósito de expressar duas ideias diferentes, e não pretende de forma alguma ferir susceptibilidades.

(Resumidamente)
A busca espiritual normalmente e “aparentemente” nasce de uma inquietação que brota do íntimo com uma intensidade que não dá para ignorar; por uma maturidade que começa aflorar, fruto das experiências que foram colhidas pelo “caminho”, em que os frutos não correspondem às expectativas, não têm sabor, ou simplesmente esvaziam ainda mais. Em que o entendimento da vida se mostrou vazio de significado, não há respostas, e não há como ignorar as perguntas. Vai demorar muito até que o ser se perceba como a fonte, o criador e experimentador de tudo isso e aí comece a busca pela transformação, enfatizo que nem por isso está mais esclarecido do que estava antes, apenas menos disperso, e com isso poderá nascer a “oportunidade”.

Tudo o que estás a vivenciar é “fruto”, ou são as crenças que carregas, ou pelas quais te defines, a ti mesmo, ao mundo, aos teus propósitos, etc... Essas crenças não geram, elas são o sofrimento, e a paz, a felicidade, a Verdade são o fruto da libertação de tudo isso... não poderia ser mais simples, mas implica que entregues o que conheces de ti, a algo maior em ti. A primeira grande liberdade aparece quando simplesmente reconheces em Serenidade que nada sabes, que o mundo como o concebes assenta num monte de conceitos que nunca foram questionados. Reconheceste-te aí no meio da experiência, passaram-te um monte de teorias acerca do mundo e dos propósito, dos valores, da felicidade, e tantas coisas mais, foste empilhando tudo isso, até parecer algo de concreto, sólido, seguro. Essa aparente segurança impede-te de questionar fundo, e quando algumas perguntas são feitas mais concretas, em vez de dizer não sei, respondes: “é complexo”, “é transcendental”, “esta é a verdade”, “estão todos aí”... e quando começas a perceber que pode não ser bem assim, tudo isso parece ter vida própria, e, é bem difícil te libertares, vai exigir ir além da zona de segurança, e o maior obstáculo, serão as tuas crenças, os medos, essas mesmas coisas que geram, são o sofrimento/segurança.

O coração pede silêncio, entrega, paz, quietude, contemplação, serenidade, Verdade. A mente pede conhecimento/controle, novidade, excitação, prazer. Seguir as vontades da mente que acha que sabe, deu no que já conheces. O caminho do coração ao inicio não vai agradar à mente, vai ser bem desconfortável até, mas é daí que virá a Alegria, a Plenitude... se ainda não conheces a Alegria nem a Plenitude, é porque ainda não percorreste estes passos, continuas iludido na mente, preso (a) nos medos, nas tuas crenças, na tua própria ilusão. O que é fantástico, o jogo ainda está a meio, e a aventura promete momentos intensos de glória! Porque no fundo é apenas uma grande brincadeira, com todos os ingredientes, a aventura, o prazer, a emoção, o enredo, mas é apenas uma brincadeira, a Verdade é livre de tudo isso, nunca teve nada a ver com isso, e és Verdadeiramente Tu!

Algumas formas de identificar o motor da própria busca:

Num retiro espiritual, o propósito é o silêncio, a quietude; já numa excursão espiritual o propósito é o entretenimento e a novidade. Num retiro espiritual, o ser busca ficar o máximo de isolamento para se perceber em meio da sua própria confusão; já numa excursão espiritual, o ser busca atenção, a confraternização, um relacionamento, a aceitação. Num retiro espiritual a propósito é silenciar-se, já numa excursão espiritual, o propósito é mostrar o seu conhecimento. Num retiro espiritual reduzem-se as atividades ao mínimo possível, e essas atividades servem o propósito de promover a quietude, e assim que atingida, permanecer lá, diluindo as próprias crenças nesse silêncio maior, tornando-se permeável à sua Verdade; já numa excursão espiritual o tempo é bem preenchido por atividades para que não hajam tempos mortos, e se porventura se atinja alguma quietude, ela é imediatamente perturbada pela atividade seguinte. Num retiro espiritual busca-se a elevação; numa excursão espiritual busca-se o prazer. Num retiro espiritual busca-se o conhecimento do Eu Real, aquele que brota da quietude na quietude; já numa excursão espiritual busca-se o conhecimento do “não-eu” da personalidade, complexos de inferioridade buscam aquietar-se com ideias de superioridade, de poder, tenta-se fugir da tristeza, através das momentâneos afagos na vaidade. Num retiro espiritual a Verdade é a única prioridade, sendo a estrutura física, emocional e mental delegadas em segundo plano; já numa excursão espiritual, a estrutura física, emocional e mental estão em primeiro plano, e é aqui que se busca a satisfação. Num retiro espiritual busca-se a simplicidade; já numa excursão espiritual busca-se o conforto, o requinte, a misticismo, os rituais, etc. Num retiro espiritual busca-se a Verdade, numa excursão espiritual, buscam-se saídas, formas de obter o que se imagina que vai trazer a felicidade.
Para participar de um retiro espiritual não é preciso ter algum conhecimento prévio, apenas ser um buscador da Verdade. Para participar de uma excursão espiritual, dependendo da motivação, é bom ter já um conhecimento prévio, um bom pedigree espiritual é sempre bom, uma ou várias iniciações em alguma linhagem antiga, e, ou um bom currículo espiritual, com cursos, palestras, workshops, feitos com gente famosa (de preferência), vai com certeza causar um bom impacto, afinal a primeira impressão é a mais importante, não é??!!...(brincadeirinha)...ou não... Com tantas atividade espirituais para se fazerem em tão pouco espaço de tempo, entretanto teremos uma “Síndrome da Nova Era”, “O estresse espiritual”, e de certo uma nova indústria daí nascerá, com novos terapeutas, novas terapias, novos livros, novos cursos, enfim tudo é possível, desde que haja imaginação.

Os frutos das excursões espirituais aparentemente são ótimos, mas desaparecem com o tempo, podem trazem relaxe, mas não trarão paz, apenas perpetuarão a ilusão. Já os frutos de um retiro espiritual, esses convido-te a conhecer. A transparência é algo importante, pois se buscas apenas uma excursão espiritual, não entres num retiro espiritual pois vai ser no mínimo penoso. Já se buscas um retiro espiritual, não entres numa excursão pois será igualmente penosa. Caso já tenhas participado de algumas excursões espirituais e sintas vontade de fazer um retiro espiritual, tem bem em mente a proposta e prepara-te para isso, com certeza será algo como nunca fizeste antes, um presente na tua vida, a “oportunidade”. A tua motivação faz toda a diferença. De acordo com o que buscas, assim encontras. Estás em busca de conhecimento, ou da Verdade?

Aqui no Ashram Yoga Divine Center, é um “local de retiro espiritual”, e encontrarás o que necessitas se for realmente esse o teu propósito.

E aí, já fizeste ou tens a vontade de fazer um retiro espiritual?

Muitas Felicidades,
Em Serenidade,
Satyavan

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Aaaaiiii!!! Tão ocupado (a) que andas... Tão cheio (a) de preocupações...

Tanta correria, a vida é uma correria. Tanto trabalho, tantas responsabilidades, tantas pessoas que dependem de ti, tanta dedicação, tantos planos, tanto sofrimento, e ninguém reconhece o teu esforço... Como é difícil! Sempre tão ocupado (a), sempre tão estressado (a)... Nem vês o dia passar, quando percebes, já é noite outra vez! Sempre tantas exigências de tantos lados, todos pedem e ninguém dá! Mas a vida é assim, se queremos alguma coisa, temos de trabalhar por isso! Temos que nos esforçar para concretizar os nossos sonhos, sem esforço nada acontece. Se não trabalhares, quem paga as contas? Como vão comer os que dependem de ti? Onde vão viver? Um dia, se fores bastante trabalhador, se fores esperto, se ganhares a mega-sena, ou uma combinação de todas, nesse dia quem sabe tudo será como gostarias que fosse! Nessa altura de certeza que terás todo o reconhecimento que buscas, nessa altura, de certeza que te vais sentir bem contigo mesmo, de certeza que não vais ter mais medos, terás todas as coisas que desejas, afinal de contas, até na espiritualidade se diz que podes ter tudo aquilo que desejas, basta usar o poder da mente... Para ti que possivelmente não sabias, sim é verdade, dizem que se desenvolveres bem o poder da mente, poderás fazer da tua vida o que quiseres, poderás materializar os teus sonhos, poderás ter sucesso, muito dinheiro, vê bem que poderás até ter o teu próprio negócio, e muito bem sucedido por sinal. Então talvez seja melhor, iniciares a prática da meditação, ou então, caso já tenhas uma prática, poderás juntar na lista de desejos, além do relax claro, também o sucesso e a fortuna, porque não... não se pode ser pobre a pedir...Afinal, quem pouco pede, pouco recebe!

Ehehehehe... Quanta bobagem...

...recomeçando a desconstruir...

Tenho algumas notícias para te dar, lamento, mas alguém tem de o fazer... Quando “cá” chegaste, o mundo por sinal já cá estava, pelo menos é o que dizem os historiadores. Dizem, pois eu cá não sei de nada, que há provas validadas cientificamente que o planeta existe há cerca de 4,5 bilhões de anos, comparativamente ao que conheces da tua existência, parece-me que não tem qualquer expressão, e por sinal tudo acontecia na mesma. Eu sei que é incrível, que é difícil de acreditar, mas tudo funcionava sem ti! Desculpa ser eu o portador destas notícias, mas é o que sugerem as evidências. E pior, se funcionavam antes de ti, é bem provável que continuem a funcionar sem ti...

Sabes amigo, tanta ironia nestas palavras, apenas para que possas, por um momento abrir uma janelinha nesse teu mundo que te oprime, e quem sabe vislumbrar um pouco mais além. Não estás cansado (a)? Não te apetecia largar tudo já faz bastante tempo? No entanto continuas aí...assim...

Como, e onde é que tudo começou?

Será que o mundo tem alguma importância além daquela que lhe atribuis? Será que o teu sofrimento tem identidade própria, ou é apenas fruto do que “decides” acreditar? O teu trabalho tem dado os frutos que tanto buscas? E quando vislumbras o cenário perfeito, o que acontece a seguir? Para que é que isso serve realmente? Um dos poderes que te mantém entretido, é o poder da envolvência, como uma aranha que tece uma teia... ficas envolto(a) em meio de tanta perplexidade, de tanta urgência, de tantas cobranças, e não entendes, não tens como... Será que não mesmo?

Podemos analisar de duas formas:

1- Se existe a morte, ou seja, o término da vida tal como é conhecida, para sempre, então para quê tanto esforço, em construir, o que não se poderá possuir; para quê tanto esforço em conquistar quem não vai perdurar; para quê deixar uma marca no mundo, se quem deixa a marca nunca vai estar cá para ver. Para quê ser otimista se estás fadado a morrer?! Se a morte existe, então tudo está ao acaso, e desta forma para quê te preocupares no meio de tantas improbabilidades, sendo que o FINAL é inevitável?

2- Se não existe a morte, ou seja, que a vida continua depois da morte do corpo, então, para quê tanto esforço, em construir algo que não vais possuir, se no final da “jornada” deixas tudo, e vais para outro plano começar de novo; para quê tanta preocupação com algo que é apenas transitório, e que dura apenas um momento?! Se não existe morte, e se este é um mundo transitório, o que será então a realidade? Se tens livre arbítrio, porque razão não escolhes ser feliz agora? Se não existe livre arbítrio, porque sofres perante o inevitável?
Então o que fazer? Fazer para quê, e porquê? Para ser feliz! O que é a felicidade, e para que serve?

O mundo que reconheces, não é o que aparenta ser, mas enquanto não tiveres a coragem de questionar a sério, vais continuar assim. Poderás até conquistar as coisas que tanto querias, mas isso jamais vai trazer paz, se não acreditas, olha para trás para o que já conquistaste... Estás convencido de muitas, infinitas coisas, que te prendem a uma “realidade” que mostra a sua natureza, simplesmente para que a reconheças, para que te reconheças, e busques o que é realmente importante.

Observa bem à tua volta: o sol aparentemente nasce, e aparentemente se põe no horizonte, e assim é neste e nos outros mundos, apenas um movimento aparente, onde nada realmente acontece, e o que aparenta acontecer, tem uma sincronia perfeita. Será que depois de entenderes tudo o que há a ser entendido, aí sim poderás ser feliz? Ehehehe, não sei quem te falou essa da felicidade, o estado a ser atingido, mas enganou-te...não é assim, nada do que possas acrescentar trará felicidade, mas, ao retirares tudo, aí sim, felicidade, plenitude. Não percas tempo, ou então perde, é indiferente, tudo está bem! Mas essas ideias que o mundo depende de ti, que as pessoas dependem de ti, que podes fazer a diferença, é apenas uma ideia preciosa, que aparentemente te traz importância, propósito, mas não é nada assim. Quando morreres os que aparentemente dependiam de ti, que te amavam, ou se tornam independentes, ou encontram outro em quem se encostar. Quando souberes quem És realmente, saberás quem são os outros, e quem provê realmente! Até lá continuarás no doce embalo da ilusão, envolto na teia da auto importância, assolado de pensamentos, sentimentos, sensações, em que acreditas e te dão o feedback de um mundo que nem sequer existe, mas que te prende e sufoca lentamente, com a doce promessa da felicidade. Liberta-te das tuas crenças, e encontrarás a Paz. A segunda é o resultado imediato da primeira! O que é que andas a tentar fazer, e para quê? Quem És?

Em Serenidade,
Satyavan

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Necessidade de Pertencer – Sintoma da Síndrome de Individualidade

Para os Buscadores da Verdade – Relatos de Uma Viajem Alucinante:)

Pois bem! Muitos problemas se encontram nesta vida, e grande parte desta mesma vida é passada na tentativa de os resolver, muitos deles mais abrangentes já cá estavam antes de “chegares”, e certamente continuarão depois de “partires”...outros ainda, mais próximos, mais íntimos, também estavam à “chegada”, e outros foste encontrando aos poucos...certos problemas, não o eram até um determinado momento e depois passaram a ser, outros eram um problema antes e depois de um tempo deixaram de ser! Estranho não?!... Dá que pensar na natureza das “coisas”...

Ainda assim uma convicção profunda que esses problemas, são mesmo um problema, e que certamente haverá solução! Mas qual é o real entendimento da vida? Por acaso sabes o que estás “aqui” a fazer? Sabes o que é “aqui”? Sabes de onde vens? Para onde vais? Por acaso sabes quem és?

E que tal recomeçar pelo básico?! A vida tornou-se uma confusão, corres de um lado para o outro sem saber para onde vais, corres em busca de algo melhor, sem saberes quem és, desta forma sem saberes o que necessitas, para onde achas que isso te vai levar? Tornaste-te demasiado sofisticado, demasiado complexo; e que tal começar a simplificar?...

Pois bem, a esta altura a tua vida já deu muitas voltas, mas o mais certo é que esteja tudo na mesma, mudaste cores, sabores, saberes, linguagem, imagem, e mais ou menos entretido (a), ainda assim na mesma... Vives em círculos apenas, abanas, sacodes, fazes mudanças, e voltas sempre ao mesmo; por vezes, demoras bastante a ter essa percepção; mas mais cedo ou mais tarde voltas ao mesmo, às mesmas questões, e baixas os braços por um determinado período, e depois começas de novo, mais uma volta, mais um círculo...

Certamente muita coisa mudou, argumentas... talvez tenhas mudado de relacionamento, algo que te oprimia e já não fazia mais sentido; Talvez tenhas mudado de trabalho, que por segurança mantinhas, ou seja pelo cheque no final do mês, cheque esse que alimentava uma série “coisas” que no fundo não serviam de muito, e ainda assim te escravizavam em um trabalho que não trazia alegria alguma, era apenas algo que te esvaziava; talvez tenhas mudado de religião, certamente havia um problema com o outro Deus, e as suas doutrinas...ou melhor ainda, estás na moda, agora não és religioso (a), agora és espiritual, segues uma nova filosofia, ou melhor ainda, uma filosofia antiguíssima, comprovada por milénios...comes diferente, dormes diferente, tens práticas regulares de espiritualização, fazes caridade, és uma raridade... Mas vê bem...mudou assim tanta coisa? Enquanto estás no período da mudança, conhecendo tantas novidades, nem dá para perceber, mas quando arrefece o furor inicial, tudo fica claro. Tanto que possivelmente largaste para trás, e...será que mudou realmente alguma coisa? Aí “dentro”, nessa vivência, mudou mesmo? Vê bem! Será que adianta fazer tantas mudanças se o denominador comum é sempre o mesmo, ou seja, sendo que és sempre o mesmo, será que adianta mudar os contextos? Sabes quem és?

A questão é sempre a mesma, até deixar de ser! Iludido com quem aparentas ser, encontraste-te “assim”, “aqui”, no meio de um turbilhão, que não tinhas como entender, a história foi rolando, e tu com ela, e até hoje rola e nem percebes que a história tem vida própria, não sabes quem és e imaginas ter algum controlo, opções, escolhas, possibilidades... e por todo o lado tantas promessas materiais e espirituais que estás louco (a) por comprar...pois afinal é tudo uma questão de saber, de controlo, e sabendo corretamente, certamente farás as melhores escolhas, ou seja, vais escolher o que vai trazer a felicidade, pois é isso que determina para ti o certo e o errado: o resultado, que é analisado, nesse momento, e de acordo com esse “nível” de entendimento, sem qualquer visão do panorama completo...

No fundo é uma questão bem simples... Sofrimento... Fazes tudo para evitar o sofrimento! Mas o que é o sofrimento e de onde vem? Vem das tuas crenças apenas, de mais lado nenhum, apenas das tuas crenças. Acreditas que és um corpo, um individuo, que está no meio de outros indivíduos, que precisas de amor, que precisas ser feliz, e que para teres este amor , esta felicidade, esta alegria, terás de merecer...afinal foi isto que observaste do mundo, pelo menos daquela pequenina parte que conheces, e é isto o que diz a GRANDE e VASTA maioria... (seja lá o que isso queira dizer)

A grande dor da tua vida tem sido a rejeição, essa coisa tão dolorosa que te priva do amor que imaginas que vem dos outros, e esse é um dos sintomas da verdadeira “Síndrome”... Apenas por causa disso, tudo o que fazes, está condicionado pela aprovação ou rejeição, é sempre a mesma busca, por isso, todos os empreendimentos, materiais ou espirituais, nunca são satisfatórios, encontras uma grande diversidade de opiniões, e alguma será sempre diferente da tua, e o fantasma da rejeição, acaba sempre por aparecer... Quer ainda andes mergulhado nos infindáveis empreendimentos materiais, ou estejas dividindo o teu tempo nos objetivos materiais e nos espirituais, quer apenas te dediques à espiritualidade, e tudo aconteça em torno disso, talvez seja hora de parar e avaliar se esse fantasma não continua por aí, se esse fantasma não contundia a iludir-te?...

No mundo espiritual, se é que não é tudo espiritual, ou tudo material (dependendo da definição de espirito e da definição de matéria), é a mesma coisa, o mesmo principio... A vida levou-te numa grande viajem, de mudanças, abdicaste de tantas coisas, descobriste grandes verdades, mas não as consegues realizar... Encontraste um novo estilo de vida, rodeado de seres mais amáveis, que parece que te compreendem, de uma nova filosofia de vida, mais saudável, e sim, a tua vida melhorou! Quer isto dizer, no teu entendimento, que as experiências começaram a ser mais prazerosas, tudo ficou mais tranquilo. No início eram grandes sonhos, grandes promessas do potencial desse caminho, e tantas provas que a LIBERTAÇÃO é possível, mas pelo meio, e, depois dos esforços iniciais, e de uma forma muito sutil, algo mudou. Distraíste-te! Como tens de viver de alguma coisa, porque não viver de algo que te faz bem, porque não passar isso a outros? Como serei feliz ao fazê-lo, e trarei felicidade a outros, enquanto continuo a minha busca...que plano fantástico, e continuas alegremente... vais ensinar, vais praticar, abrir um espaço, tantos sonhos e projetos, que te vão drenar toda a tua atenção...e com o tempo as tuas práticas enfraquecem, ou entram em rotina, ou em puro esquecimento. Possivelmente, entraste num grupo ao final de semana, fazes uns rituais muito interessantes, ou até mesmo secretos, muito sérios, depois confraternizas, e dentro de ti tudo na mesma, os mesmos medos... Possivelmente largaste toda a matéria, assumiste uma ordem, vives num mosteiro com as rotinas do dia a dia, com as tuas práticas, mas lá no fundo os mesmos medos...Possivelmente tornaste-te um curador, sem te teres curado realmente, tornaste-te um professor sem realmente teres aprendido, mostras o caminho sem realmente o teres percorrido, afinal qual é o mal, se à tua volta estão todos assim? Não tem mal algum, mas andas apenas distraído, distraído do que é importante, de ti mesmo! Convencido que és real, assim como te reconheces, e por isso este universo deve ser real assim como é reconhecido, submerso neste reconhecimento, continuas impotentemente confuso, e sofres, continuas a sofrer.

Todos os caminhos, todas as filosofias espirituais, falam a mesma coisa, que o sofrimento é uma ilusão, que vem da ilusão, que o mundo é uma ilusão, que apenas quando te realizares estarás além da ilusão, e por consequência além do sofrimento, isto por si só já deveria ser suficiente, mas não é. E caso sejas um buscador mais sério, um daqueles que já não está preocupado com o sofrimento, e que já entendeu o primeiro ponto, que o mundo é uma ilusão, e se pergunta: se o mundo é uma ilusão o que é então a Verdade? Então só esta pergunta seria o suficiente para não te deixar descansar enquanto não fosse encontrada a resposta, mas não é. Dizes, isso é muito bonito, mas as contas, a família, a responsabilidade, a fome, a solidão, a tristeza, e o sofrimento, estão aí! Eu vejo! Eu sinto!

Depois de tanto tempo, nada... Pergunta-te será que queres mesmo quebrar com a ilusão, ou é mais importante pertencer? Será que continua aí o mesmo fantasma? Será que percorres um caminho espiritual, mas continuas com os mesmos medos, medo de ficar só, medo de não ter o que comer, medo de não ter onde dormir, medo de não ter um companheiro, medo disto e medo daquilo. Será que trabalhas mesmo para te libertar da ilusão, ou será que trabalhas para encontrar segurança dentro da ilusão? Constróis e apegas-te ao que constróis, e ainda assim sonhas com a LIBERDADE, e cada vez ela te parece mais um sonho, e cada vez mais te parece que é uma longa jornada, e cada vez mais se multiplicam os desejos, e os medos, e cada vez mais lutas para os aplacar! E como não consegues pertencer, ou seja, continuas a ser rejeitado, então ficas zangado e lutas: lutas contra o sistema, contra a politica, contra a maldade, contra a pobreza, assolado por tantas lutas, e completamente esquecido de ti, transitas pelo universo, eras após eras... lutando apenas contra o fantasma da rejeição, contra essa dor que te oprime, completamente sem ideia de quem és realmente.

Sabes, o teu coração é puro, sempre foi, sempre será, no entanto as “coisas” não são o que aparentam, tu não és o que aparentas ser. Seja lá o que tenhas encontrado que te dê segurança, seja lá o que quer que aches que ainda te falta para estares seguro (a), isso é apenas uma ilusão, uma distração... e vê como é forte! Quer estejas na espiritualidade, na matéria, ou em ambos, a ilusão é a mesma. Ao aceitar os objetivos, aceitas a distância sem questionar. Talvez a tua vida tenha mudado bastante, talvez até tenhas encontrado um grupo com quem te identificas, talvez até tenhas um lar perfeito, mas diz-me, sabes mesmo quem és! Estás Realizado? És Paz? És Alegria? És Plenitude? És?

Como poderás alguma vez pertencer, se o mundo, se é que o mundo alguma vez existiu; existiu apenas em ti? Como poderás ser aceite, se não existe quem te possa aceitar, nem existe quem te possa rejeitar, como poderá ser, se apenas Tu existes? Mas enquanto o foco for a segurança e a aceitação, dificilmente haverá um entendimento destas palavras. Será necessário mudar o foco, e questionar fundo, questionar todos os medos, olhar para eles de frente e conquista-los; todos os medos, até quebrar com a ilusão da individualidade, o “síndroma” que perpetua o ilusório sofrimento. Talvez penses agora: se o sofrimento é ilusório então qual é o problema? E pensas muito bem, não tem problema algum! Apenas... para quem é a ilusão?

Tudo muda e nada muda, pois nada realmente acontece :)

Hummm???!!!... Mais cedo ou mais tarde chegará a hora de questionar.

Em Serenidade,
Satyavan