domingo, 27 de novembro de 2011

O Sonho e o Sonhador

AVISO AO LEITOR : este texto não traz nada místico, nenhum conhecimento oculto dos mundos imanentes ou transcendentes, poderá até ser deveras aborrecido. Não recomendado a leitores suscetíveis: com realidades definidas, opiniões cristalizadas, com riscos que vão desde: sonolência, histeria, a severas convulsões intelectuais!

O Sonho e o sonhador

Olha à tua volta! Após ouvires isto é inevitável que observes num raio de 360º tudo o que aparentemente rodeia esse corpo ao qual, e a partir do mesmo, chamas teu, mas, será mesmo só isso?! Após estas 2 linhas, com certeza já chegaste, opinaste, concluíste, ou ficaste confuso acerca do propósito desta conversa, ou questionas a razão pela qual, certos malucos te enviam textos loucos, como se não tivessem nada de melhor para fazer, e acima de tudo achas normal que isso aconteça, não o fato de te enviarem textos loucos, mas de estares sempre a pensar, opinar, concluir. “Há coisas base” aí! “Coisas” inquestionáveis, como quem és, a forma como te vês, a forma como vês o mundo, e a partir daí, desse porto de abrigo, ou digamos ponto de partida/regresso, dessa base de certeza, tudo aparentemente se desenrola. Até já podes estar a discordar, ou a concordar, tanto faz, o mecanismo é o mesmo, e continuas a não entender, mesmo que aches que estás a entender, é mesmo assim, e é normal, mesmo que assim não pareça...e até parece que brincamos com palavras, mas é mesmo a sério!!! Estamos mesmo a brincar a sério!!!

Um sonho dentro de um sonho, dentro de um sonho, dentro de um sonho...

Olha à tua volta! Desta vez com mais atenção, com outro foco, e verás agora, com ajuda claro, que esse corpo é apenas periférico, mas esquece lá isso do periférico, digamos que observas apenas de um ponto mais “interno” e uso esta palavra ciente da confusão que ela carrega, mas é a única forma de entenderes, pois a _tua_ referência _ é o corpo, mesmo que não pareça, então “interno” em relação ao corpo, parece confuso, mas é claro, bem mais claro que o entendimento que carregas, é apenas condicionamento, que faz com que o claro pareça confuso, e o confuso pareça claro, por incrível que pareça, ainda não aprendeste a pensar... desse ponto mais “interno” terás observações muito mais ricas e interessantes, embora não interessem para nada, da mesma forma que antes observavas 360º em relação ao corpo, agora observas dentro de outros parâmetros, ou então estou a falar sozinho____________________.... mas, esquece lá isso, vamos considerar que ainda aí estás, porque estás sempre aí, mas que estás aí, e, a tentar ao máximo entender onde isto vai chegar...e observas que existe um mundo aí, sim embora a observação ainda seja grosseira, pois é ruidosa, ou seja, a mente observa, ou seja, há pensamentos aí, estás a pensar (ou pelo menos assim o entendes) acerca do que vês, e “vês” sensações que emergem, vês pois a tua atenção está a ser levada nesse sentido, e além das sensações, também vês emoções, e agora que poderíamos ter atingido o teto da questão, devemos prosseguir para a observação dos pensamentos, sim, também consegues observar os pensamentos, e após observação cuidadosa, verás que os pensamentos emergem tal qual as sensações físicas, tal e qual as emoções... que coisa estranha, bom não o era, até era bem normal, mas as suas implicações nunca foram entendidas, e possivelmente não o estão a ser ainda (lê de novo)... tens um hábito estranho de achar que é tudo teu¬_eu, embora não saibas que aches, mas tens...dizes, as minhas sensações, as minhas emoções, os meus pensamentos....meus de quem? Desde que começaste a ler estas linhas, supondo que chegaste até aqui, um monte de opiniões, conclusões, confusões emergiram aí, sim emergiram aí, como sempre emergem, e devo confessar que me delicio com a vastidão das que emergiram aí, no entanto nada disso é teu, pelo menos da forma como acreditas ser, é apenas mecânico, é como tem de ser, e não como achas que é...tudo apenas emerge aí, nada mais...

Quer te ocupes com aquela parte do mundo que aparentemente rodeia esse corpo ao qual chamas teu, quer te ocupes com o mundo mais “interno”, é a mesma coisa... Quer tenhas um vasto conhecimento, (esta frase já por si só assusta ehehehe) da espiritualidade, ou que desconheças por completo, é a mesma coisa, devo dizer-te com franqueza, que é a mesma coisa, é apenas periférico, apenas emerge, e não tem qualquer valor, nem um pouco! Sim eu sei que o mundo, os outros, o conhecimento, a ciência, a religião, a espiritualidade, blá, blá, blá, blá, blá... PERIFÉRICO! Meu corpo, minhas emoções, meus pensamentos, a minha alma, o meu Deus! Meus de quem? De certo que se reclamas a posse desse corpo, dessas emoções, desses pensamentos, dessa alma, desse Deus, e seja lá o que for mais... então deves ser diferente de tudo isso, deves estar “além/aquém”, não deves ser nada disso, então o que sobra, e sobra em relação a quê, e a partir do quê?!

Sabes aquela imagem da propaganda acerca dos malefícios de ver TV, de alguém sentado em frente ao aparelho de TV, com os olhos esbugalhados, vidrados no aparelho, como que em hipnose, ou mesmo em hipnose, a enfiar automaticamente pipocas na boca, e com um fio de baba a escorrer pelo canto da boca, que vive e pensa de acordo com o a TV lhe diz acerca de como deve viver e pensar, embora ache que são as opiniões dele e não as da Tv...bom o mesmo se aplica a este mundo externo/interno com todas as suas peculiaridades. É tão intenso que parece realmente existir (seja lá o que isso queira dizer)! Quer sejas do mundo material, ou do mundo espiritual, a mesma hipnose, quer trates das coisas comuns, ou das coisas do oculto, a mesma hipnose... a mesma baba... a mesma convicção... a mesma ilusão! E, os pensamentos/opiniões/conclusões continuaram a emergir aí e continuas a achar que são teus/tuas...

E aí??? Parece que chega desta vez não achas??? Supostamente agora faria um resumo, acerca do que foi exposto, concluiria bonitinho, e colocaria um lacinho em cima, mas acho que desta vez vou deixar assim mesmo... vou deixar essa parte para ti! Sem introdução e sem conclusão, e assim é com a aparente existência!

Em Serenidade,
Satyavan