sexta-feira, 30 de abril de 2010

Como vai a jornada espiritual?

Existe muita conversa acerca de espiritualidade, acerca do desvelar interior do Divino, mas a questão é: o que estás realmente a fazer nesse sentido? O teu coração arde intensamente pela realização Suprema? A tua vida gira em torno desse objetivo?Aplicas-te diariamente na busca pelo Divino? Ou o teu Sadhana tornou-se mecânico? Apenas repetição de exercícios? Apenas o sentar durante um tempo específico com uma técnica específica? Será que apenas reuniste algumas técnicas deste-lhe um nome diferente criando um método novo, um novo sistema que agora estás demasiado ocupado a promover, esquecendo o mais importante? Qual é a tua prática diária? Como vai a tua paz interior? Como vai o amor na tua vida? És uma fonte de paz e amor na vida dos que te rodeiam? Como vai o teu contato interno? Estás realmente dedicado ao teu propósito mais elevado, ou perdeste algures o teu caminho? Se a tua alma não clama todos os dias pela Suprema Realização, isso significa que apenas mudaste uma ilusão por outra ilusão, mais espiritual, mas ainda assim uma ilusão, e para ti a espiritualidade não será nada mais do que palavras bonitas, sorrisos agradáveis, momentos de relaxamento , reuniões de grupo, retiros de final de semana na praia, workshops, etc. E o sofrimento, e o vazio vão seguir-te como uma sombra, mais cedo ou mais tarde, ao longo do tempo, e vai mesmo ser considerado normal! O caminho espiritual trata-se de terapia? Trata-se de ter um corpo relaxado e uma mente relaxada para fazer face à vida e lutar pelos prazeres sensoriais! Estás realmente no caminho do silêncio interior, paz e comunhão com o Divino? O que está realmente a acontecer aí dentro, se quiseres realmente saber, basta que coloques a questão internamente, para ti mesmo, e se, ao leres estas linhas a resposta não veio já como um sentimento ou um pensamento, então dá um de tempo, e a resposta virá. Como estás a usar o teu tempo? Esquece toda a conversa da personalidade e vira-te para dentro, vai até a fonte! Não te contentes em sonhar acordado, permite que aconteça para ti! Tu És o Ser Infinito, O SER Supremo. Acorda desse sonho!

Em Serenidade,
Satyavan

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Processo da Meditação

A meditação é um estado natural de serenidade interior e comunhão com o todo. É a nossa verdadeira natureza! E Esta é uma jornada de volta para essa Serenidade e Plenitude Interior.
Hoje em dia muitas pessoas estão a acordar para a necessidade de trazer a meditação para as suas vidas, o nível de ruído e agitação, no dia-a-dia, tornou-se tão grande que ficou insuportável. E é aqui que começa uma longa caminhada de volta ao Eu. Quem começa a meditar, começa por perceber que é difícil de manter a regularidade, que é difícil meditar mais de 20 ou 30 minutos, só não consegue entender o porquê, e acaba invariavelmente por desistir, ou manter-se numa prática bem superficial, trazendo poucas mudanças para a sua vida. Patanjali, quando estruturou o caminho de ascensão Yogue, começou por Yama (princípios éticos – a não-violência, a verdade, a integridade, a contenção, e a generosidade) e Nyama (a prática da pureza, do contentamento, da auto-purificação, do Auto-conhecimento, e da Devoção e Entrega ao Divino), depois disto estar a ser praticado então o começar a prática dos àsanas, os pranayamas, depois pratyahara, e após isto então Dharana (concentração) Dhyana (meditação) e Samadhi (de volta ao infinito). Isto não quer dizer que não se possa passar logo para a prática da concentração e da meditação, quer dizer sim, que todas estas etapas vão ter de acontecer antes que a meditação seja possível. É preciso esclarecer que a meditação é algo que vai acontecer, quando estiverem reunidas todas as condições. Ou seja, não é algo que se faz, é algo que Acontece, até lá praticamos a concentração. Sendo a serenidade, a paz, o amor, a harmonia, a equanimidade, a alegria de Ser, o nosso estado natural, então o caminho é o retirar de tudo o que está a perturbar essa paz, ou seja: noção equivocada de quem és, a identificação com os corpos inferiores, os hábitos negativos de comportamento, desejos e apegos sem fim, etc. Iniciar uma prática de meditação é iniciar uma jornada de transformação profunda, que vai transformar por completo a tua existência física, energética, emocional, e mental. Ou pelo menos o que conheces da mesma. E é aqui que começa o problema, queremos que a nossa vida melhore, que tenhamos melhores relacionamentos, que a vida seja mais gratificante, queremos ser felizes, mas não queremos mudar. Tudo menos isso. Achamos que estamos bem, que quem está mal são os outros, que temos tido azar na vida, que somos vitimas de uma conspiração cósmica...Tudo menos aceitar a idéia que necessitamos de mudar, que não nos conhecemos, que não temos consciência de nós, nem das nossas ações, nem do impacto que temos no mundo em nosso redor, e que a vida tal como a conhecemos, como a temos vivido, tem a ver com a nossa postura, e é por aí que tem de começar a mudança; e isso já começa a ser o processo meditativo. Arma-te com amor, com compaixão, com coragem, com audácia, e prepara-te para um épico interior à conquista da Tua Paz, à conquista de Ti. Quando te sentas para meditar com consciência do que estás Realmente a fazer, então o processo de expansão de consciência acelera, e de dentro, começam a vir as ansiedades, as emoções reprimidas, as dores, as raivas, os ódios e os ciúmes, todo o tipo de impurezas físicas, energéticas, emocionais e mentais, começam a manifestar-se, e o que tens a fazer é simplesmente ficar quieto, sem reagir. Por isso te é dado uma técnica de meditação, e qualquer uma serve, deves de continuar sempre com a técnica, independentemente do que estiveres a vivenciar interiormente seja agradável ou desagradável, não importa. Sempre que te perceberes distraído, traz a tua concentração de volta para a técnica, este é um treino que terás de fazer ao inicio. Depois será natural. Muitas vezes terás vontade de levantar, mas fica quieto, e verás uma agonia profunda que se levanta de dentro de ti, observa-a é só mais uma parte do equívoco, liberta, deixa ir. Depois de um longo processo de libertação de todos os equívocos acumulados até agora, a serenidade interior vai começar a manifestar-se, e ai sim começa a verdadeira viagem de regresso à Essência, o recuperar da Nossa Consciência Cósmica, a diluição no Infinito. Ao inicio é importante que busques quem te possa ajudar, quem já tenha passado por esses processos, isso vai ajudar-te a longo prazo. Depois que despertares tua intuição, o teu contato interno, então poderás seguir tranqüilo, tendo toda a ajuda dentro de ti. Não existe outro aprendizado que não seja pela prática. A teoria de nada serve sem a prática, e a prática é o que importa mesmo sem teoria. Saber acerca do assunto sem praticares, ou com uma prática irregular não adianta de nada. Dá uma oportunidade a Ti Mesmo. Mergulha, vai fundo em Ti, Conhece-te, cultiva a Serenidade, Descobre o Amor, permite-te a ser feliz.

Em Serenidade,
Satyavan

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os Desejos – O Pano de Fundo da Experiência Relativa

O que quer que estejas a vivenciar tem a ver diretamente com o que buscas do mundo. Não há nenhuma outra razão para estares a aqui, além da satisfação dos desejos que acumulaste até agora. Toda esta realidade subjetiva serve esse propósito. Não existe mais nada que te prenda, do que os teus desejos. Achamos que temos uma grande visão da vida, que entendemos a realidade, no entanto, estamos limitados pelo buscamos, e o nosso entendimento da realidade, reflete apenas a nossa realidade subjetiva. Esta realidade subjetiva acontece apenas na nossa mente. Vejo o que posso de acordo com o que desejo. Dia após dia encenamos esta peça, atribuímos-lhe valor, vivenciamos o drama, a comédia, a tragédia, a aventura, o romance, que belos atores que nós somos.
Não existe morte, não existe nascimento, não existem outros além de mim, apenas uma Serenidade Absoluta, apenas um Oceano de Pura Consciência Cósmica, Pleno, Sereno, Imortal, Perfeito. A ilusão da separação, a busca desta plenitude, juntamente com a identificação com o corpo (conjunto do corpo físico, energético, emocional, mental) impele-nos nesta jornada em busca desta bem-aventurança, erroneamente através dos órgãos sensoriais, de dentro para fora.
O teu corpo é apenas um objeto na Tua mente, é uma criação da Tua mente, apenas existe na Tua mente. Todos os objetos que reconheces além de ti, fora de ti (pai, mãe, filhos, companheiros, casas, carro, dinheiro, etc) são apenas objetos na tua mente. E a tua mente existe no Self, este Self És Tu. Desta forma todos os empreendimentos na busca da plenitude como algo fora de ti, estão destinados ao fracasso, pois nada existe além de Ti. Nada trará plena satisfação, faltará sempre alguma coisa, e frustração será sempre a sua marca. Aprendemos que a felicidade é um estado continuo de excitação que ocorre após o contato entre objetos, entre o nosso corpo, e os objetos além e fora do mesmo. Nada poderia estar mais longe da realidade. Este contato aparente entre os objetos gera excitação, que podemos interpretar como excitação positiva, ou negativa, de acordo com a natureza dos objetos, ou seja, de acordo com a natureza do primeiro objeto (teu corpo), e de acordo com a natureza dos outros objetos (objetos além do teu corpo). A Felicidade é um estado de Serenidade absoluta, de ausência de excitação, de Plenitude, resultado da Auto-Realização, a única coisa pela qual vale a pena Almejar.
Pela lógica, excitação e serenidade são conceitos opostos, sendo que, irritação, nervosismo, exaltação, afervoraramento, estímulo, agitação, são sinônimos de excitação; e, tranqüilidade, pureza, calma, são sinônimos de serenidade. Completo, cheio, inteiro, satisfação, contentamento, perfeição, são sinônimos da palavra: plenitude. Desta forma não te iludas com os estímulos sensoriais, com os contatos entre os objetos, e busca a plenitude, a satisfação, o contentamento, e perfeição de Seres quem És, aquele Oceano de Pura Consciência Cósmica, Pleno, Sereno, Imortal, Perfeito!
Enquanto te identificares com o corpo e com a mente, vais reconhecer objetos além de ti, e continuar a gerar cobiça e aversão. A cobiça e a aversão que parecem diametralmente opostas, a uma luz maior são apenas estados de excitação, resultado do contato entre os objetos, de todo oposto à serenidade que buscamos. Realiza essa Consciência Una, pelo entendimento da natureza ilusória do que tens vivenciado. Vive a tua vida com um entendimento perfeito, de que o que estás a vivenciar é fruto de desejos passados, e que os desejos presentes vão criar o futuro, ou seja, mais vivências, e que enquanto não quebrares o ciclo, a ilusão continua, e o vazio permanece.
O vazio que sentes interiormente é a ausência de Ti, fruto dessa consciência relativa, de individualidade, e separação de tudo e de todos. Essa consciência de separação gera atrito e sofrimento. A Consciência Una, é Absoluta e Integradora, fonte de Felicidade e Contentamento. Em termos absolutos nada Realmente acontece, e em termos relativos nada realmente acontece além de Ti. Tudo é uma expressão do Teu Ser. Os objetos (pai, mãe, filhos, companheiros, casas, carro, dinheiro, condições onde estás inserido, etc), existem em Ti, são Parte de Ti, são pequenas expressões do Teu Ser. Aprecia a relatividade como uma expressão do Teu Amor, do Teu Ser. Relaxa, não leves as coisas tão a sério, tudo é para o teu entretenimento. Usa o teu “tempo” de forma construtiva, reclama o Teu estatuto Cósmico, Onipresente, Onipotente, de Serenidade, Amor, Paz, Plenitude, Bem-aventurança, o SELF QUE ÉS!

Em Serenidade,
Satyavan

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Realidade

A Alegria – O Reencontro da Totalidade do Ser

A Existência é Una, apenas a Serenidade Intemporal prevalece, apenas o Ser Supremo Existe, esse Oceano de Pura Consciência Cósmica, de Pura harmonia, de Absoluta Plenitude, Sereno, Infinito, Absoluto, que Eu Sou. A separação é ilusória, fruto da identificação deste principio absoluto, “Existência”, com os corpos onde aparentemente se expressa. Até mesmo na existência relativa é preciso entender as coisas na sua verdadeira magnitude, não existem vários corpos separados, mas apenas um Grande Corpo, aparentemente composto por vários corpos. Tal como pequenas gotas de água compõem um oceano, da mesma forma, pequenos agregados de matéria em diversos estados, compõem Este Grande Corpo. A esses pequenos agregados de matéria chamamos de Universos, Galáxias, Sistemas Solares, Planetas, homens, animais e plantas, sendo todos eles constituídos, animados por este Princípio Uno de Pura e Infinita Consciência Cósmica. Este Grande Corpo vibra em uníssono, esta Magnífica Realidade, percebemos este pulsar em todas as suas manifestações. Pelo contato aparente entre a Consciência e a matéria, dá-se a transferência das características de um para o outro, desta forma a noção de Existência, aparece isolada em um corpo, assumindo as características do mesmo. Esta identificação, que aparentemente é só do indivíduo, acontece de forma coletiva e simultânea em todos os corpos, desde os mais simples aos mais complexos. Sendo o corpo do homem, uma das expressões mais elevadas, deste mesmo princípio. Constantemente existe um movimento aparente, em que a Consciência se densifica, tornando-se matéria, e em que a matéria se Eleva novamente em consciência, tal como a água que se transforma em gelo e depois se dissolve novamente em água. Nem o gelo deixa de ser água, nem a matéria deixa de Ser Consciência. Tal como uma molécula se afirma pela sua originalidade no meio da tantas outras, também todos os corpos se afirmam de acordo com as suas características sobrepostas no Principio Absoluto de Existência, e sentem de acordo com essa sobreposição, Eu Sou...isto! Desde o extremo da inconsciência, ou seja, a incapacidade de ir além da identificação com o corpo, reconhecendo a sua verdadeira natureza, até à Super- Consciência, ou seja, a Realização Absoluta da Verdade de que EU SOU, inicia esta ínfima Grande jornada que todos conhecemos como a “Evolução”. Na medida em que a consciência vai acordando para si mesma e se reconhecendo, vai se integrando, e realizando gradualmente. Tal como fico com alegria quando reencontro um amigo há muito perdido, da mesma forma, Quando Me encontro do meu centro jorra alegria. A tristeza e a dor é fruto desta ilusão de separação. Na medida em que a ilusão desaparece, a Alegria manifesta-se. Alegria é o estado natural de um coração aceso pelo infinito. Na medida em que Te Reencontras, em que Te Reconheces em todos os corpos e além deles, serás inundado dessa Alegria. Que Maravilha, que Eu Sou, Estou em todo o lado, Sou Perfeito, Cada expressão minha é Maravilhosa, Estou em Todos os Olhos, em todas as Expressões, por todo o lado Me encontro e Me reconheço, nada nem ninguém existe além de Mim. E entendes que tudo isto é para o Teu entretenimento, para que possas usufruir do Teu Amor. E o Amor, a Alegria começa a brotar do Teu coração inundando de dentro para fora, transformando-te em Amor em Alegria, Fundindo-te em Ti Mesmo, de Volta à Serenidade. Se não sentes essa alegria, semeia todos os dias no teu coração, dia após dia, olha para fora como se olhasses para dentro, e busca-te nos olhos do outro, no vento, nas árvores, busca, busca que encontrarás! A Existência é Una, apenas a Serenidade Intemporal prevalece, apenas o Ser Supremo Existe, esse Oceano de Pura Consciência Cósmica, de Pura harmonia, de Absoluta Plenitude, Sereno, Infinito, Absoluto, que Eu Sou.

Em Serenidade,
Satyavan

A Ilusão


O Yoga – O Caminho para a Felicidade Através de Um Perfeito Entendimento

As Causas do Sofrimento Humano...
Todos sabemos o que é o sofrimento, dia após dia lidamos com sofrimento nas nossas vidas. O sofrimento vai desde um ligeiro desconforto até profunda agonia, seja no nível físico, emocional, ou mental. Sabemos também que o sofrimento é algo relativo, tem a ver diretamente com quem o vivencia. A mesma experiência tem um impacto diferente, em diferentes indivíduos, de acordo com as suas características pessoais. Indivíduos que vivem em condições mais extremas, que tiveram infâncias mais duras, com muitas privações, que passaram por muita dor, criam geralmente mais resistência à dor, tornando-se mais tolerantes ao desconforto. Até aqui está tudo certo, mas afinal quais são as causas do sofrimento, e como erradicar o mesmo? As experiências da vida vão-nos ensinando pouco a pouco. Todos os dias são lições valiosas. Começamos por entender no nível físico, e de uma forma bem simples, a mecânica por trás de como viver uma vida tranqüila, serena, e satisfatória evitando sofrimento desnecessário.
Por exemplo: quando estou sentado e começo a sentir um pequeno desconforto, imediatamente eu ajusto a minha postura, é um reflexo, que acontece, quer eu tenha, ou não consciência disso. Se me doem as costas por estar curvado, a reação natural é o endireitar das costas, ajustando a postura, desfazendo desta forma a causa do desconforto, trazendo harmonia e bem estar novamente. Se eu mantiver as costas curvadas recusando-me a ajustar a postura, o desconforto vai intensificar até ao extremo da agonia. Da mesma forma na cadeira se não ajustar a postura, o desconforto vai intensificar até ao extremo da agonia, até que eu ajuste a postura. E não adianta eu trocar de cadeira, enquanto a minha postura estiver incorreta, vou continuar a sentir desconforto. Se como mais do que necessito, se como comidas que não nutrem, que não promovem a longevidade, que não promovem a saúde, se alimento hábitos que me são nocivos, gradualmente, vou começar a sentir desconfortos no corpo, até que mais tarde estará instalado um quadro de doença, ou seja um grande condicionamento, fruto de uma postura incorreta, mantida por um longo tempo. Depois disto, e não havendo a correção postural, neste caso uma mudança de alimentação, o corpo sendo impossibilitado de se regenerar por falta de interrupção da agressão, vai degenerar, até à desintegração do mesmo, o que conhecemos como a morte do corpo físico, quer o ser tenha ou não consciência desse processo. Pois bem este princípio tão simples que acontece por vezes de forma automática na nossa vida, e que é motor de pequeníssimas mudanças, como endireitar as costas, afastar-me do fogo, como cobrir o corpo protegendo-o do frio, mudar de alimentação, mudar de hábitos também é o mesmo mecanismo que está por trás das grandes mudanças. Para que a mudança seja efetiva, uma mudança de postura, por si só, não é suficiente é necessário manter a nova postura durante o tempo suficiente até que se torne natural. No âmbito físico, alguém que deformou a sua coluna por causa de uma postura incorreta de andar curvado, para que desfaça a curvatura, terá de manter conscientemente a nova postura até que ela se torne natural. Durante esse processo irá sentir algum desconforto devido aos condicionamentos físicos que a antiga postura lhe causou, esse desconforto será mais ou menos intenso de acordo com a intensidade do condicionamento. Se esse hábito foi mantido por muito tempo o desconforto será maior, se o hábito tiver pouco tempo o desconforto será menor. A diferença do desconforto do desalinhamento postural, do desconforto resultante do realinhamento postural, é o que primeiro vai gerar mais desconforto, e o segundo vai acabar com o desconforto, levando-me ao meu estado natural de harmonia, tranqüilidade, de bem-estar, de homeostase.
No nível físico parece mais simples de entender, pois a identificação com o corpo físico é muito grande, desta forma consigo um entendimento claro acerca dele, quando se trata do emocional ou do mental a coisa complica. No entanto, a mecânica é a mesma, se por acaso estás a sentir algum desconforto no nível físico, emocional ou mental, é sinal que existem mudanças que são necessárias para que o estado Homeostático, de harmonia se restabeleça. A nossa natureza é harmônica, é serena, é tranqüila, é homeostática, tudo o que perturba esse estado, é sentido como agressão. A definição de homeostase: é a propriedade de um sistema aberto de regular o seu ambiente interno de modo a manter uma condição estável, equlibrada, mediante múltiplos ajustes de um equilíbrio dinâmico. Todos os organismos, unicelulares e multicelulares, exibem homeostase. Um grande número de sistemas ecológicos, biológicos e sociais são homeostáticos, e caso não sejam bem sucedidos em repor o equilíbrio, isso pode conduzir à interrupção do funcionamento do sistema. Então tudo o que perturba esse equilibrio, essa serenidade interior, acaba por ser vivenciado de alguma forma que vai desde o desconforto até uma profunda agonia de acordo com a natureza do individuo, e o seu nível de consciência. Este equilibrio é relativo a cada individuo, e cada um terá de encontrar o seu, ampliando o seu nível de entendimento, conquistando a sua paz e harmonia interior. Passo por passo desfazendo os mitos, faz-se necessário um entendimento maior acerca do que promove estas auto-agressões, esta baixa auto-estima, esta falta de amor próprio, ou seja, que permite que eu me continue a agredir, sabendo que estou a sofrer, impedindo, e sabotando qualquer tentativa de mudança, de reestabelecimento da harmonia. E são muitos os factores; começamos com a idéia de que o prazer é felicidade, e que a felicidade está fora de nós, que é algo que tem de ser acrescentado, e que sem isso não vale a pena viver, e, de acordo com as nossas preferências pessoais, sacrificamos tudo por este prazer, desde a saúde física, a relacionamentos, aos valores morais, ao respeito pelo próximo, e à sociedade como um todo. Nem sequer sabemos ao certo o que é isso da felicidade. Tudo gira em torno da gratificação imediata, desconsiderando as consequências de tais atos. Pela promessa do prazer imediato, anestesiamos a nossa consciência, passando a viver num torpor mental. Pela experiência aprendemos que esse tipo de gratificação, esse prazer momentânio gera desgaste nos corpos, seja no fisico, no emocional ou no mental, e que mais cedo ou mais tarde vai gerar sofrimento. Então se uma árvore se conhece pelo seu fruto, também uma ação se reconhece pelo seu resultado. E esse “prazer” é nada mais que “sofrimento” mascarado, que nos tenta e nos ilude, por vezes durante um momento, uns meses, uns anos, por vezes durante vidas, mas nunca, nunca para sempre. Enquanto formos fonte de sofrimento, iremos vivenciar alguma forma de sofrimento. Ninguém gera sofrimento voluntáriamente, cada um age de acordo com o seu nível de consciência, cada um faz o melhor que pode com o que tem. Desta forma torna-se importante este acordar para uma realidade maior, para que a vida tenha mais significado. Os grandes mestres deixaram algumas guias para que a jornada fosse o menos fricativa possivel. Aconcelharam-nos a praticar a inofensividade para com todos os seres vivos, em pensamento, palavra e ação, para desta forma nenhum ser vivesse com medo, deixando agredir e de ser agredido em retorno; ensinaram-nos a praticar a verdade, para que não houvessem desconfianças, e os relacionamentos fossem uma fonte de alegria, confiança e cumplicidade; ensinaram-nos a não nos apropriarmos do que não nos pertence, quer fossem objetos, situações, e, ou pessoas; ensinaram-nos a praticar a moderação, para que a vida sensorial podesse ser apreciada, sem que isso gerasse apego, e consequente sofrimento, e que a liberdade, a serenidade, e a harmonia daí resultantes pudessem servir de base para um crescimento maior. E ensinaram-nos a viver uma vida simples para que eu não me tornasse escravo dos meus confortos, das minhas necessidades. O que era suposto facilitar-me a vida, torná-la mais confortável, deixar mais tempo para apreciar a vida, acabou por me escravizar, sem tempo e sem paciência para mim e para os que me rodeiam, e ‘que eu amo. Sem disciplina na minha vida perdi a noção das minhas necessidades e passei a viver para os capricho sem fim que me invadem a mente, sempre com a mesma promessa do prazer, prazer esse que quando vem é tão momentânio que quase nem dá para perceber, e que geralmente é seguido de inquietação, ansiedade, frustração e dor. Ensinaram-nos a contentarmo-nos com o que a vida nos traz, para que mesmo que as coisas não corressem como esperávamos para não perdermos a nossa paz mental, afinal esta é a nossa maior preciosidade. Ensinaram-nos a não gerar demasiadas expectativas, para não gerar frustrações para mim e para os outros; ensinaram-nos a amar e respeitar os nossos companheiros, para que eles nos amassem e respeitassem; ensinaram-nos a semear o amor para que a vida fosse mais gratificante. Mas eu não entendo, continuo iludido, sofro impotente, gero mais sofrimento, e pior que isso tudo, é achar que é normal! Lá porque “todos”vivem assim, não significa que seja normal...As respostas não vão aparecer enquanto eu não começar a fazer perguntas, enquanto eu não questionar! Mas quem sou Eu afinal? Até agora o que eu reconheço como o ‘EU’: o meu corpo e a minha mente, são partes de mim, partes que estão em constante mudança, para o melhor e para o pior, será que eu sou só isso? Identifico-me com os meus hábitos, características que são frutos de repetições, de crenças por associação, da cultura, da educação que recebi, do meio onde vivo, e das pessoas com quem convivo, etc, será que sou só isso? Disseram-me que nasci, que vou morrer, e que para ser feliz devo casar, devo ter filhos, devo ter uma casa, ou duas, que preciso de dinheiro, que preciso de ter segurança, que preciso de ter afeto, que preciso de ser PERFEITO, será que é mesmo assim? Desta forma saí pelo mundo fora, porque todos saem, sem questionar o que me disseram, sem questionar quem Realmente Sou, sem questionar o Real Sentido da Vida. Será que pode ser diferente? Diz-se que a diferença entre o animal e o homem tem a ver com a sua inteligência, e porque razão não reclamados essa diferença, preferindo viver como eles seguindo a multidão? Então se achares por bem, pára, pensa, questiona, discerne! È mais do que um direito é um dever, é o nosso Dharma. Deixa as crenças, deixa os dogmas, deixa os conceitos e preconceitos e investiga, vai até á fonte! Tens tudo o que precisas para investigar, está tudo dentro de ti! Quem és tu? Procuras prazer, procuras amor, procuras a felicidade, será essa é a tua verdadeira natureza? Dizem que o nosso centro é amor, que dentro de nós temos toda a felicidade, que só temos de procurar, será que existe alguma verdade aqui? Dizem que és um Ser Divino, será possível? Serás realmente um Ser Especial, será que és Realmente LIVRE, que maravilhoso seria, imagina, poder sair pelo mundo fora sem nunca mais olhar para trás, ter toda essa liberdade, ser livre de cortar com todas as dependências, de seres como És, sem máscaras, sem medos. Será que existe algo que realmente te prenda além das tuas idéias, dos teus medos, das tuas crenças...Pensa! Discerne! És livre para isso! Que maravilhoso, és livre! E és Capaz! Tens tantas ferramentas, tantas ajudas, não percas a esperança, continua, acredita e vai em frente, reclama uma existência mais Amorosa.
Que a Luz te Guie, que o teu Coração seja o Teu Mestre, Que o Amor esteja na base da tua vida! Vai Descobre, Realiza-te, e não te esqueças de Amar!

Em Serenidade,
Satyavan

Sadhana - O Caminho Rumo ao Divino

O Percorrer deste caminho no Yoga?
Neste caminho de Elevação da consciência e da Auto-realização, deparamo-nos com imensos obstáculos à nossa paz. Procuramos essa paz, essa serenidade, essa elevação espiritual, mas parece tão difícil ir um pouco mais além de um estado de descontração, que brevemente é interrompido pela agitação, pelo ruído, pela ansiedade, etc. No início encontramos os obstáculos fora de nós, pessoas, ambientes, circunstâncias. Gradualmente, e, na medida, que a consciência expande vamos percebendo que os obstáculos estão dentro de nós, nos hábitos negativos, nos desejos, nos apegos. Construímos e cristalizamos uma realidade acerca do que somos, do que queremos, para onde vamos, sem ter a mínima noção de onde tudo começou! Agora desconstruir vai dar trabalho. Hábitos frutos da repetição contínua, de atração e repulsão, cresceram, e tornaram-se fortes, dando origem à personalidade. A identificação e o apego a esta personalidade gera a ilusão de uma existência separada, e com isso todo o sofrimento. Recuperar o nosso estado de Consciência UNA, fonte de Paz, Amor, Serenidade, é o propósito desta longa jornada, e sem a prática diária, torna-se apenas mais um sonho. Para manter uma prática de Consciência permanente (sadhana), em que a purificação física, energética, mental, e uma conseqüente elevação de Consciência sejam o resultado, é preciso muita determinação, disciplina, perseverança, entrega, e amor por Si Mesmo. Os sadhanas são muitos, e consistem num auto-treino, em que gradualmente se afirma a natureza divina, cultivando estas qualidades na personalidade, desfazendo o equivoco. Manter um sadhana é o que um aspirante a Yogue necessita de fazer, sendo o desabrochar uma conseqüência natural. Não importa se és um praticante, um professor, ou um mestre de yoga, se ainda vives em viyoga (separação), ao esqueceres o sadhana, esqueces o mais importante. Nunca te esqueças de Afirmar a tua luz, diariamente promove essa ascensão ao Divino. O sadhana é o mais importante, é a estrada para o yoga (união) da consciência individual, com a Consciência Suprema. A maior Realização a que um Ser pode Almejar. Partilha aqui as tuas dificuldades, todos juntos encontraremos novas formas de prosseguir...

Hari Om Tat Sat
Em Serenidada,
Satyavan