O Yoga – O Caminho para a Felicidade Através de Um Perfeito Entendimento
As Causas do Sofrimento Humano...
Todos sabemos o que é o sofrimento, dia após dia lidamos com sofrimento nas nossas vidas. O sofrimento vai desde um ligeiro desconforto até profunda agonia, seja no nível físico, emocional, ou mental. Sabemos também que o sofrimento é algo relativo, tem a ver diretamente com quem o vivencia. A mesma experiência tem um impacto diferente, em diferentes indivíduos, de acordo com as suas características pessoais. Indivíduos que vivem em condições mais extremas, que tiveram infâncias mais duras, com muitas privações, que passaram por muita dor, criam geralmente mais resistência à dor, tornando-se mais tolerantes ao desconforto. Até aqui está tudo certo, mas afinal quais são as causas do sofrimento, e como erradicar o mesmo? As experiências da vida vão-nos ensinando pouco a pouco. Todos os dias são lições valiosas. Começamos por entender no nível físico, e de uma forma bem simples, a mecânica por trás de como viver uma vida tranqüila, serena, e satisfatória evitando sofrimento desnecessário.
Por exemplo: quando estou sentado e começo a sentir um pequeno desconforto, imediatamente eu ajusto a minha postura, é um reflexo, que acontece, quer eu tenha, ou não consciência disso. Se me doem as costas por estar curvado, a reação natural é o endireitar das costas, ajustando a postura, desfazendo desta forma a causa do desconforto, trazendo harmonia e bem estar novamente. Se eu mantiver as costas curvadas recusando-me a ajustar a postura, o desconforto vai intensificar até ao extremo da agonia. Da mesma forma na cadeira se não ajustar a postura, o desconforto vai intensificar até ao extremo da agonia, até que eu ajuste a postura. E não adianta eu trocar de cadeira, enquanto a minha postura estiver incorreta, vou continuar a sentir desconforto. Se como mais do que necessito, se como comidas que não nutrem, que não promovem a longevidade, que não promovem a saúde, se alimento hábitos que me são nocivos, gradualmente, vou começar a sentir desconfortos no corpo, até que mais tarde estará instalado um quadro de doença, ou seja um grande condicionamento, fruto de uma postura incorreta, mantida por um longo tempo. Depois disto, e não havendo a correção postural, neste caso uma mudança de alimentação, o corpo sendo impossibilitado de se regenerar por falta de interrupção da agressão, vai degenerar, até à desintegração do mesmo, o que conhecemos como a morte do corpo físico, quer o ser tenha ou não consciência desse processo. Pois bem este princípio tão simples que acontece por vezes de forma automática na nossa vida, e que é motor de pequeníssimas mudanças, como endireitar as costas, afastar-me do fogo, como cobrir o corpo protegendo-o do frio, mudar de alimentação, mudar de hábitos também é o mesmo mecanismo que está por trás das grandes mudanças. Para que a mudança seja efetiva, uma mudança de postura, por si só, não é suficiente é necessário manter a nova postura durante o tempo suficiente até que se torne natural. No âmbito físico, alguém que deformou a sua coluna por causa de uma postura incorreta de andar curvado, para que desfaça a curvatura, terá de manter conscientemente a nova postura até que ela se torne natural. Durante esse processo irá sentir algum desconforto devido aos condicionamentos físicos que a antiga postura lhe causou, esse desconforto será mais ou menos intenso de acordo com a intensidade do condicionamento. Se esse hábito foi mantido por muito tempo o desconforto será maior, se o hábito tiver pouco tempo o desconforto será menor. A diferença do desconforto do desalinhamento postural, do desconforto resultante do realinhamento postural, é o que primeiro vai gerar mais desconforto, e o segundo vai acabar com o desconforto, levando-me ao meu estado natural de harmonia, tranqüilidade, de bem-estar, de homeostase.
No nível físico parece mais simples de entender, pois a identificação com o corpo físico é muito grande, desta forma consigo um entendimento claro acerca dele, quando se trata do emocional ou do mental a coisa complica. No entanto, a mecânica é a mesma, se por acaso estás a sentir algum desconforto no nível físico, emocional ou mental, é sinal que existem mudanças que são necessárias para que o estado Homeostático, de harmonia se restabeleça. A nossa natureza é harmônica, é serena, é tranqüila, é homeostática, tudo o que perturba esse estado, é sentido como agressão. A definição de homeostase: é a propriedade de um sistema aberto de regular o seu ambiente interno de modo a manter uma condição estável, equlibrada, mediante múltiplos ajustes de um equilíbrio dinâmico. Todos os organismos, unicelulares e multicelulares, exibem homeostase. Um grande número de sistemas ecológicos, biológicos e sociais são homeostáticos, e caso não sejam bem sucedidos em repor o equilíbrio, isso pode conduzir à interrupção do funcionamento do sistema. Então tudo o que perturba esse equilibrio, essa serenidade interior, acaba por ser vivenciado de alguma forma que vai desde o desconforto até uma profunda agonia de acordo com a natureza do individuo, e o seu nível de consciência. Este equilibrio é relativo a cada individuo, e cada um terá de encontrar o seu, ampliando o seu nível de entendimento, conquistando a sua paz e harmonia interior. Passo por passo desfazendo os mitos, faz-se necessário um entendimento maior acerca do que promove estas auto-agressões, esta baixa auto-estima, esta falta de amor próprio, ou seja, que permite que eu me continue a agredir, sabendo que estou a sofrer, impedindo, e sabotando qualquer tentativa de mudança, de reestabelecimento da harmonia. E são muitos os factores; começamos com a idéia de que o prazer é felicidade, e que a felicidade está fora de nós, que é algo que tem de ser acrescentado, e que sem isso não vale a pena viver, e, de acordo com as nossas preferências pessoais, sacrificamos tudo por este prazer, desde a saúde física, a relacionamentos, aos valores morais, ao respeito pelo próximo, e à sociedade como um todo. Nem sequer sabemos ao certo o que é isso da felicidade. Tudo gira em torno da gratificação imediata, desconsiderando as consequências de tais atos. Pela promessa do prazer imediato, anestesiamos a nossa consciência, passando a viver num torpor mental. Pela experiência aprendemos que esse tipo de gratificação, esse prazer momentânio gera desgaste nos corpos, seja no fisico, no emocional ou no mental, e que mais cedo ou mais tarde vai gerar sofrimento. Então se uma árvore se conhece pelo seu fruto, também uma ação se reconhece pelo seu resultado. E esse “prazer” é nada mais que “sofrimento” mascarado, que nos tenta e nos ilude, por vezes durante um momento, uns meses, uns anos, por vezes durante vidas, mas nunca, nunca para sempre. Enquanto formos fonte de sofrimento, iremos vivenciar alguma forma de sofrimento. Ninguém gera sofrimento voluntáriamente, cada um age de acordo com o seu nível de consciência, cada um faz o melhor que pode com o que tem. Desta forma torna-se importante este acordar para uma realidade maior, para que a vida tenha mais significado. Os grandes mestres deixaram algumas guias para que a jornada fosse o menos fricativa possivel. Aconcelharam-nos a praticar a inofensividade para com todos os seres vivos, em pensamento, palavra e ação, para desta forma nenhum ser vivesse com medo, deixando agredir e de ser agredido em retorno; ensinaram-nos a praticar a verdade, para que não houvessem desconfianças, e os relacionamentos fossem uma fonte de alegria, confiança e cumplicidade; ensinaram-nos a não nos apropriarmos do que não nos pertence, quer fossem objetos, situações, e, ou pessoas; ensinaram-nos a praticar a moderação, para que a vida sensorial podesse ser apreciada, sem que isso gerasse apego, e consequente sofrimento, e que a liberdade, a serenidade, e a harmonia daí resultantes pudessem servir de base para um crescimento maior. E ensinaram-nos a viver uma vida simples para que eu não me tornasse escravo dos meus confortos, das minhas necessidades. O que era suposto facilitar-me a vida, torná-la mais confortável, deixar mais tempo para apreciar a vida, acabou por me escravizar, sem tempo e sem paciência para mim e para os que me rodeiam, e ‘que eu amo. Sem disciplina na minha vida perdi a noção das minhas necessidades e passei a viver para os capricho sem fim que me invadem a mente, sempre com a mesma promessa do prazer, prazer esse que quando vem é tão momentânio que quase nem dá para perceber, e que geralmente é seguido de inquietação, ansiedade, frustração e dor. Ensinaram-nos a contentarmo-nos com o que a vida nos traz, para que mesmo que as coisas não corressem como esperávamos para não perdermos a nossa paz mental, afinal esta é a nossa maior preciosidade. Ensinaram-nos a não gerar demasiadas expectativas, para não gerar frustrações para mim e para os outros; ensinaram-nos a amar e respeitar os nossos companheiros, para que eles nos amassem e respeitassem; ensinaram-nos a semear o amor para que a vida fosse mais gratificante. Mas eu não entendo, continuo iludido, sofro impotente, gero mais sofrimento, e pior que isso tudo, é achar que é normal! Lá porque “todos”vivem assim, não significa que seja normal...As respostas não vão aparecer enquanto eu não começar a fazer perguntas, enquanto eu não questionar! Mas quem sou Eu afinal? Até agora o que eu reconheço como o ‘EU’: o meu corpo e a minha mente, são partes de mim, partes que estão em constante mudança, para o melhor e para o pior, será que eu sou só isso? Identifico-me com os meus hábitos, características que são frutos de repetições, de crenças por associação, da cultura, da educação que recebi, do meio onde vivo, e das pessoas com quem convivo, etc, será que sou só isso? Disseram-me que nasci, que vou morrer, e que para ser feliz devo casar, devo ter filhos, devo ter uma casa, ou duas, que preciso de dinheiro, que preciso de ter segurança, que preciso de ter afeto, que preciso de ser PERFEITO, será que é mesmo assim? Desta forma saí pelo mundo fora, porque todos saem, sem questionar o que me disseram, sem questionar quem Realmente Sou, sem questionar o Real Sentido da Vida. Será que pode ser diferente? Diz-se que a diferença entre o animal e o homem tem a ver com a sua inteligência, e porque razão não reclamados essa diferença, preferindo viver como eles seguindo a multidão? Então se achares por bem, pára, pensa, questiona, discerne! È mais do que um direito é um dever, é o nosso Dharma. Deixa as crenças, deixa os dogmas, deixa os conceitos e preconceitos e investiga, vai até á fonte! Tens tudo o que precisas para investigar, está tudo dentro de ti! Quem és tu? Procuras prazer, procuras amor, procuras a felicidade, será essa é a tua verdadeira natureza? Dizem que o nosso centro é amor, que dentro de nós temos toda a felicidade, que só temos de procurar, será que existe alguma verdade aqui? Dizem que és um Ser Divino, será possível? Serás realmente um Ser Especial, será que és Realmente LIVRE, que maravilhoso seria, imagina, poder sair pelo mundo fora sem nunca mais olhar para trás, ter toda essa liberdade, ser livre de cortar com todas as dependências, de seres como És, sem máscaras, sem medos. Será que existe algo que realmente te prenda além das tuas idéias, dos teus medos, das tuas crenças...Pensa! Discerne! És livre para isso! Que maravilhoso, és livre! E és Capaz! Tens tantas ferramentas, tantas ajudas, não percas a esperança, continua, acredita e vai em frente, reclama uma existência mais Amorosa.
Que a Luz te Guie, que o teu Coração seja o Teu Mestre, Que o Amor esteja na base da tua vida! Vai Descobre, Realiza-te, e não te esqueças de Amar!
Em Serenidade,
Satyavan