Buscador: Poderia falar um pouco sobre Seva?
Satyavan: Antes de mais é preciso que entendas que não sabes de nada enquanto não souberes quem és, enquanto não fores reabsorvido pelo teu próprio esplendor, e te dissolveres nele. Não importa quanto já estudaste quanto já praticaste ou quantos anos/eras pse passaram, até à grandiosa dissolução no esplendor da tua Real Existência, nada sabes. Ganha ou recupera esta humildade, ela é preciosa. Pode-se dizer ingenuamente que tudo é um passo para a verdade, mas cada passo não leva para mais perto. Não existem degraus ou distâncias para a Verdade, em verdade ou sabes ou não sabes!
Seva é a luz que revela o ouro. Seva é uma necessidade para o buscador da verdade. Um buscador da verdade é aquele que está ativa e intensamente engajado na busca pela verdade. É aquele que sabe que nada sabe. O verdadeiro buscador da verdade não assume que já sabe muito, que atingiu determinado nível espiritual, ou nível de conhecimento. O seu coração anseia pelo Real Preenchimento, pela Realização da Verdade, pela Fonte.
A maioria dos buscadores está preso aqui, o seu caminho está ao serviço da sua vontade, das suas ideias, das suas crenças. A sua ilusão é o que norteia a sua busca, e essa busca chega a nenhum lugar, apenas perpetua o movimento, pois aquilo que está em busca é exatamente aquilo que não quer encontrar, é o equívoco que busca perpetuar-se. A mente acha que vai chegar a algum lugar, no entanto terá de desaparecer. Uma jornada longa de acumulo de pressuposto conhecimento espiritual que amolece ou endurece ainda mais o individuo, perpetuando a individualidade, o equivoco. A mente será apenas testemunha da grandiosidade, e desaparecerá com o sonho.
Quando o buscador se torna um buscador da verdade, aquilo a que ele chama de sua mente já se rendeu aquilo a que ele chama do seu coração. E o seu coração está ao serviço da verdade! E seu coração impele-o em direções contrárias à sua mente, levando-o a quebrar com os seus medos com as suas limitações... Estar ao serviço da verdade é seva! Todas as ações do buscador devem estar ao serviço da Verdade, da Fonte. O buscador terá de se entregar à Fonte.
Quando aquilo a que o buscador chama de sua mente se coloca ao serviço daquilo a que o buscador chama de seu coração, então emerge o buscador da verdade, ele está pronto para receber instrução. Do estar pronto até receber pode demorar um pouco dependendo da sua percepção. Mas a instrução virá!
No inicio é o constante reafirmar da entrega, é a fricção entre a instrução e as suas crenças, o seu mundinho, aceitando a instrução, rejeitando as suas próprias vontades, as impressões que surgem nele mesmo, vivendo as crises emergentes desse conflito, depois virá a quietude que permanecerá dissolvendo as restantes estruturas...
Aquilo a que normalmente se chama de seva, o serviço desinteressado é um meio de interação, sintonia entre o buscador e a Fonte. Só deve existir seva para o buscador, ele não mais deve empregar as suas ações na perpetuação do equivoco, por isso ele entrega aquilo a que chama o seu corpo, as suas emoções, os seus pensamentos ao serviço da Fonte, na visão do buscador as suas ações devem beneficiar tudo e todos menos a ele mesmo, ele deixa de alimentar aquilo a que chama de seus sonhos, o futuro, a segurança, aquilo a que ele chama de suas ações não mais servem o propósito da manutenção do equívoco, da sua ilusão. Para o buscador da Verdade, a fonte é o Guru, o Guru é a fonte. Seva não é a luz que mostra a Verdade, mas é a borracha que apaga a ilusão.