segunda-feira, 19 de julho de 2010

Conversas com Satyavan - A Hora do Silêncio...

Depois de todas as análises e entendimento, chega a hora da introspecção, do silêncio e contemplação. Contempla o teu ser, Tu És o Uno, a Perfeição! A mente terá de se render ao Divino Silêncio em Ti! Abandona todos os objectivos, ideias, esquece os outros e a ti, e permanece serenamente no teu SER...sem perguntas...sem indagações, apenas serenidade...

Visitante: "abandona todos os objectivos"...não querer, desejar absolutamente nada?
" abandona as ideias".... não pensar absolutamente nada?
"esquece os outros e a ti"..... "sair" da consciência de si, e dos outros?
"permanece serenamente no teu ser"?...... o que resta, o que há para além daquilo que já abandonámos?

Satyavan:
muito interessante a tua pergunta :)
Para lá de tudo o que abandonas apenas restas REALMENTE TU, livre, pristina, não o que pensas de ti, mas quem REALMENTE ÉS, o SER.

Para entenderes, o silêncio também é outro nome do SER e ele mostra claramente... o silêncio é perpétuo, tem propriedade, os sons são perceptiveis pois existe um infinito silêncio como o seu pano de fundo, todo o som emerge e quer ele seja curto ou longo volta a diluir-se no silêncio, pode parecer que o som alterna com o silêncio mas se prestares atenção o silêncio é eterno e mantêm-se mesmo com som, é o pano de fundo que o som usa para se propagar (pelo menos no mundo dos sentidos)...Na realidade este universo é "feito" de luz e som (vibração) não existe silêncio algum no universo, há uma frequência, vibração, som constante no universo, esta frequência não é audível através dos sentidos fisicos, mas pode ser captada diretamente pela mente na mente, quando esta se torna mais sutil (abdicando dos sons mais densos), e é uma das pistas, o traço da realidade na ilusão, pois é a única coisa permanente que existe, existem outras frequências sutis, mas não são continuas. É a este som que os yogues se referem quando entoam o OM, e também o supremo objeto de meditação. O silêncio que consideras vazio é uma vibração muito sutil, e é apenas vazio para os sentidos fisicos...

O VERDADEIRO SILÊNCIO ESTÁ NA AUSÊNCIA DE CONSTRUÇÕES MENTAIS, O SER!

Da mesma forma que o som, todos as formas pensamento emergem e voltam a diluir-se no SER, na Pura Consciência, estes pensamentos na medida em que se densificam em luz e som, de dimensão em dimensão formam todos os universos, todos os objetos (perceptivelmente animados ou inanimados). De acordo com a sua natureza, semelhante reconhece semelhante, pensamentos reconhecem outros pensamentos e sustentam-se mutuamente.
Os corpos reconhecem outros corpos, apenas conseguem identificar os seus semelhantes. Apenas Consciência é consciente de Si mesma.

Sempre que objetivas a consciência estabeleces ilusão! A ilusão apenas é real para ti, porque lhe atribuis importãncia, devido às promessas que ela te faz. Mas quem reconhece a ilusão? O teu corpo apenas vai reconhecer outros corpos, os pensamentos (a mente) apenas vão reconhecer outros pensamentos. Por acaso és o corpo, ou a mente? Ao te libertares de ambos, libertas a conciência (o eu) para se reconhecer a si mesma (o Eu)...

Ao "realizares" percebes que nunca de lá saiste, a melhor comparação em palavras é como mergulhar e tornar-se uno com um infinito oceado de uma imensa e infinita alegria, muito mas infinitamente amorosa...

Para isso terás de abdicar de tudo, até do que achas que és pois isso é uma ilusão e um beco sem saída, mas...
No fundo não abdicas de nada, apenas largas o circunscrito pelo infinito.

No entanto isto são apenas palavras que tentam chegar perto do que está além palavras, essa é uma viagem que ninguém pode fazer fazer por ti... na realidade também não existe ninguém além de Ti, do SER, e tu apenas és o SER.

3 comentários:

  1. lição que se levou? "lição", o entendimento da totalidade....a unidade é calmaria e paz.

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  2. Olá Satyavan, dificil esta hora do silêncio para quem nunca o fez. Em minhas tentativas de meditação está difícil ainda manter o foco no "nada", ou seria em mim? De qualquer forma é dificil ainda... mas pensando por outro lado já está mais fácil que no início deste ano, onde me perdia completamente :)
    As vezes fico a pensar o que é largar tudo para me encontrar. Será que devo abandonar literalmente a vida que levo e me isolar??? Ir para o Himalaia ou um ashram? Devo largar meu trabalho, minha família, meus bens literalmente?? Ou é um largar de apego?
    A questão da autorrealização não sai da minha cabeça e acabo me sentindo mal pelos deslizes constantes e com situações tão banais.
    E as questões dom dia a dia?? Não devo me preocupar com elas? Ou será que é resolvê--las sem me preocupar? Seria isto o mesmo que falta de fé??? :)) . Me desculppe os questinamntos infantis, mas são inevitáveis para mim.
    Um grande abraço.
    Luiz

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    1. Bom dia, amigo Luiz,
      de fato são questões inevitáveis para aquele que está a ser "chamado", pois esse "chamado" começa a questionar tudo o que estava estabelecido, começa a mexer com todas as estruturas que o ser chama de sua vida. Na medida em que o tempo passa a questão da auto-realização vai absorvendo toda a atenção, até que não sobre atenção para mais nada, ou seja vai retirando a importância de todo o resto, retornando a cosnciência ao seu estado pristino. Nesse processo inevitávelmente muito mudará, o dito mundo até poderá aparentemente continuar na "mesma", mas para si nada mais será igual...
      O que quer que tenha de ser feito será feito! Se tiver de ir para o Himalaya, irá! Se tiver de ir para um Ashram, irá! Se tiver de permanecer por aí, permanecerá! Qualquer cenário serve, o que determina onde se encontra o corpo é o destino do mesmo. Todas esses dúvidas se levantam perante o inevitável, lembre-se que todas as aparentes mudanças, não são mudanças, mas apenas o desenrolar do inevitável. Em vês de tentar mudar os cenários, reconheça e entregue-se à magia que está por trás de tudo isso, e deixe-se levar. A convulsão é inevitável para aquele que luta contra o inevitável! Mesmo que não consiga o desapega perante a sua vida, que tal um apego maleável... como um barco que no porto fica preso a uma corda, que permite a oscilação do barco com a maré, sem comprometar a sua estrutura, se fosse preso por algo rigido, na subida ou descida da maré, quebraria o casco...
      O processo está a desenrolar-se, não tem como parar, veja de onde vem esse desassossego, e entregue-se a essa força.
      Em Serenidade,
      Satyavan

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