segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Diálogos com Buscadores da Verdade - 7

7º Diálogo

Buscador:
Olá Satyavan, dificil esta hora do silêncio para quem nunca o fez. Em minhas tentativas de meditação está difícil ainda manter o foco no "nada", ou seria em mim? De qualquer forma é dificil ainda... mas pensando por outro lado já está mais fácil que no início deste ano, onde me perdia completamente :)
As vezes fico a pensar o que é largar tudo para me encontrar. Será que devo abandonar literalmente a vida que levo e me isolar??? Ir para o Himalaia ou um ashram? Devo largar meu trabalho, minha família, meus bens literalmente?? Ou é um largar de apego? A questão da auto-realização não sai da minha cabeça e acabo me sentindo mal pelos deslizes constantes e com situações tão banais. E as questões do dia a dia?? Não devo me preocupar com elas? Ou será que é resolvê-las sem me preocupar? Seria isto o mesmo que falta de fé??? :)) . Me desculpe os questionamentos infantis, mas são inevitáveis para mim.

Satyavan: Bom dia, amigo , de fato são questões inevitáveis para aquele que está a ser "chamado", pois esse "chamado" começa a questionar tudo o que estava estabelecido, começa a mexer com todas as estruturas que o ser chama de sua vida. Na medida em que o tempo passa a questão da auto-realização vai absorvendo toda a atenção, até que não sobre atenção para mais nada, ou seja vai retirando a importância de todo o resto, retornando a consciência ao seu estado pristino. Nesse processo inevitavelmente muito mudará, o dito mundo até poderá aparentemente continuar na "mesma", mas para si nada mais será igual...
O que quer que tenha de ser feito será feito! Se tiver de ir para o Himalaya, irá! Se tiver de ir para um Ashram, irá! Se tiver de permanecer por aí, permanecerá! Qualquer cenário serve, o que determina onde se encontra o corpo é o destino do mesmo. Todas essas dúvidas se levantam perante o inevitável, lembre-se que todas as aparentes mudanças, não são mudanças, mas apenas o desenrolar do inevitável. Em vês de tentar mudar os cenários, reconheça e entregue-se à magia que está por trás de tudo isso, e deixe-se levar. A convulsão é inevitável para aquele que luta contra o inevitável! Mesmo que não consiga o desapega perante a sua vida, que tal um apego maleável... como um barco que no porto fica preso a uma corda, que permite a oscilação do barco com a maré, sem comprometer a sua estrutura, se fosse preso por algo rígido, na subida ou descida da maré, quebraria o casco... O processo está a desenrolar-se, não tem como parar, veja de onde vem esse desassossego, e entregue-se a essa força.


Nenhum comentário:

Postar um comentário